O urutal é o tal!

Algumas espécies de aves são menos comuns nos campos ou nas cidades, principalmente por serem mais raras, em menor número. O caso do urutau, sua raridade advém também de outras fontes. Além de realmente não ser um ave de convício com humanos, seu hábitos noturnos e, principalmente, sua camuflagem a tornam um animal de difícil observação. Suas penas se transformam em perfeitas continuações dos galhos de árvores em que eles estão. Junto a isso, sua capacidade de ficar estático, como se fosse realmente um galho, o esconde de presas e também dos nossos olhos.

Seu canto triste, porém, é famoso, e já há muitos anos gerou lendas. Uma delas diz que o nome urutau vem do som de seu canto. Outra lenda, bastante difundida nos sertões, diz que um dia foi uma mulher que perdeu o seu amor, e por isso também lhe foi dada a alcunha de pássaro-fantasma.

Quem quiser ver de perto um urutau, além de ter que contar com muita sorte e olhos vivos, há de se seguir pelo canto, deixando que o triste assobio do pássaro, como se dissesse “foi foi foi”, o guie. Nós, por enquanto, deixamos para você duas fotos dessa ave, registradas por Luis A Florit.

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Por Thiago Majolo

Fotos: Luis A Florit

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Urutau

 

O urutau é uma ave de hábitos noturnos. Sua alimentação é constituída basicamente de insetos que pega durante o voo, principalmente os grandes, porém pode comer outros animais de pequeno porte, como morcegos, lagartos e também e pequenos pássaros.

 

Sua principal característica é a sua plumagem para se camuflar. Normalmente se passa por um pedaço de madeira, um galho de árvore ou mesmo troncos partidos ou em pé. Costuma ficar estático, não se assustando facilmente.  Alcança até 37 cm fora a cauda. Não é uma espécie acostumada ao convívio urbano.

 

Reino:         Animalia
Filo:            Chordata
Classe:        Aves
Ordem:       Caprimulgiformes
Família:       Nyctibiidae

Gênero:       Nyctibius

Espécies:

  • Nyctibius griseus (Gmelin, 1789) – Urutau-comum
  • Nyctibius grandis (Gmelin, 1789) – Mãe-da-lua-gigante
  • Nyctibius aetherus (Wied-Neuwied, 1820) – Mãe-da-lua-parda
  • Nyctibius leucopterus (Wied-Neuwied, 1821) – Urutau-de-asa-branca
  • Nyctibius bracteatus Gould, 1846 – Urutau-ferrugem
  • Nyctibius maculosus Ridgway, 1912
  • Nyctibius jamaicensis (Gmelin, 1789)

O urutau (Nyctibius griseus), pássaro que em tupi-guarani significa ave-fantasma, durante o dia permanece totalmente imóvel sobre um tronco, um galho ou um mourão de cerca. À noite, faz ecoar um canto melancólico, parecido com um lamento humano.

O urutau vive em bordas de florestas, campos com árvores e cerrados e é encontrado da Costa Rica à Argentina. Põem um único ovo que é chocado pelo macho. O tempo de incubação dura, aproximadamente, 33 dias. O filhote permanece mais 51 dias no ninho, um dos períodos de desenvolvimento mais longos para as aves no continente americano.

O pássaro adulto possui cerca de 37 centímetros de comprimento e 160 gramas de peso. Muitas vezes é confundido com uma coruja porque possui olhos grandes e desproporcionais ao tamanho da cabeça larga e achatada. À noite, quando iluminados por uma lanterna, os olhos refletem uma luz avermelhada, visível a grande distância. A boca, enorme, é parecida com a de um sapo cururu. Essa aparência assustadora é usada como arma para afastar a maioria dos predadores.

O urutau possui outro mecanismo de defesa. São duas aberturas instaladas em suas pálpebras. É por esse “olho mágico” que ele consegue enxergar em todas as direções sem precisar mexer muito a cabeça. Essa fenda também controla o movimento que ele faz quando algum predador se aproxima. Lentamente, ele estica o corpo e levanta a cabeça até a cauda tocar o tronco. Sem abrir os olhos, a camuflagem se torna tão perfeita que o inimigo não consegue percebê-lo. Com isso, confunde-se com uma ponta de galho seco ou o prolongamento de uma estaca, uma camuflagem chamada “mimetismo de galho”.

O urutau só dorme quando se sente totalmente seguro. Sai à noite para se alimentar de insetos noturnos, em especial de grandes mariposas, cupins e besouros. Ele caça em vôo, nunca pousa no chão, preferindo voar alto de uma árvore para outra.

 

O pássaro também atrai várias lendas. Na Amazônia acredita-se que as penas da cauda do urutau protegem a castidade. Por isso, a mãe varre debaixo das redes das meninas com uma vassoura feita com estas penas. Outra lenda garante que aquele que escrever uma carta para a pessoa amada com a pena do urutau terá o amor correspondido.

 

 

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